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A drag queen Cholula Lemon fala sobre sua jornada pessoal e perspectivas

Artigo

Após a sua participação na Drag Queen Story Hour da Macy’s durante a semana WorldPride, Cholula Lemon, uma drag queen do Brooklyn, falou sobre a Story Hour, a sua história e as suas perspectivas sobre a vida como drag queen.

E como foi a Drag Queen Story Hour na Macy’s?

Foi incrível! A Story Hour como um programa foi um momento ótimo de visibilidade. Foi ótimo ter o apoio da Macy's e eles nos convidarem a vir e compartilhar com o público o que fazemos.

Eu li o livro infantil “Love the World (Ame o mundo)” de Todd Parr. É um livro tão bonito. É muito simples, mas descreve e fala sobre tudo o que poderíamos amar, desde nossos atributos físicos até nossas emoções, as pessoas ao nosso redor e ajudar a comunidade. Então, é um livro ótimo para começar uma conversa com as crianças sobre amar a si mesmas, mas também amar as pessoas ao seu redor e espalhar esse amor.

Com que frequência você faz as Drag Queen Story Hours?

Como organização, temos leituras semanais, ao longo de toda a semana. Eu faço pessoalmente quatro a cinco por mês. Mas para o mês do Orgulho LGBTQ+, estamos com todos os dias agendados.  

O que teria significado para você, como criança, ter assistido uma Story Hour como esta?

Eu cresci em uma pequena cidade no sul do Texas onde a visibilidade de pessoas queer era muito baixa. Lembro-me de uma pessoa que era diretor e depois se tornou superintendente, e do cabeleireiro que vinha à nossa casa para fazer o cabelo da minha mãe. Eram as duas únicas pessoas nesta pequena cidade e eu acho que não eram assumidos.  

Então, quando criança, se eu tivesse um programa como a Story Hour, eu teria visto uma pessoa drag ou apenas uma pessoa totalmente gay assumida e visto como essa pessoa é e pode ser positiva. E acho que é isto que nós proporcionamos com a Story Hour. Não há muitos modelos queer positivos para crianças e é isso que estamos fazendo com a visibilidade que esse programa nos dá. E é assim que eu retribuo. Se eu tivesse visto uma drag queen quando eu era criança, eu teria pensado, oh, então está tudo bem brincar com maquiagem e é ok adorar brilhos e roupas coloridas e glitter e todo esse tipo de coisas com as quais me diziam que eu não podia brincar ou eu tinha vergonha de brincar. E é por isso que eu faço a Story Hour, para que eu possa ajudar a criar um espaço seguro para as crianças que estão procurando validação por serem diferentes.  

Como você começou a ser uma drag queen?

Drag para mim foi realmente uma autodescoberta, assumir o meu lado feminino e querer expressar isso de uma forma divertida e bonita. Então foi assim que me tornei uma drag queen. Demorei algum tempo, eu tinha medo dessa parte de mim mesmo. E somente quando eu fui capaz de me aceitar completamente que eu fui capaz de me expressar como artista.

Qualquer coisa que você vê externamente hoje, eu busquei e tirei da minha beleza interior e mostrei para o mundo ver.

Responda a este comentário: Não é como você se veste ou o que você coloca em seu corpo que determina quem você é, mas isto com certeza pode ajudar você a expressar quem você é.

Ser drag é se fantasiar e você está criando uma personagem, mas na verdade, é também uma extensão de quem você é. Da mesma forma como você decide o que vestir para o dia é essencialmente sua drag naquele dia e como você se sente por dentro é expressado e mostrado no exterior, dependendo de como você quer expressar isso.

E como você ganha confiança?

Acho que a verdadeira confiança vem de dentro. Você exala mais confiança conhecendo-se verdadeiramente e amando a si mesmo verdadeiramente.

Podemos obter autoconfiança dos outros também, mas acho que precisa começar de dentro e depois as pessoas podem acrescentar mais, dependendo de onde estamos nas nossas vidas. É importante se cercar de pessoas de quem você gosta e que gostam de você. As pessoas gays falam muito sobre a família escolhida, as pessoas que você decide ter por perto.

Fale sobre a sensação de empoderamento, o que você sente sendo você no palco.  

Eu crio este personagem e no palco sinto-me completamente realizada. É uma coisa muito bonita. Imaginem se dessem toda esta criatividade a alguém e dissessem “faça com ela o que quiser. Use todas as cores, todas as texturas, use tudo ao seu dispor para criar esta fantasia.” É um momento realmente bonito quando você está no palco e sente que todo o tempo, esforço e amor que você coloca em sua drag estão sendo refletidos de volta a você. Há algo sobre a performance e a emoção que você transmite por meio da sua apresentação que toca o público; e ver esta conexão dá energia e poder para você. É incrível!

O que você quer que as pessoas saibam sobre as drag queens?

O conceito de drag tem evoluído muito e eu acho que estar aberto a diferentes tipos de drag é realmente importante porque por muito tempo havia uma visão muito estreita sobre o que é ou deveria ser uma drag. Agora a drag é mais acessível, o que eu acho ótimo, e há a Drag Queen Story Hour. O motivo pelo qual faço a Story Hour é por que, se eu tivesse este tipo de apresentação quando era criança, as coisas poderiam ter acontecido de maneira diferente. Eu quero ser a visibilidade que algumas destas crianças precisam.

Quote from Cholula Lemon, Brooklyn drag queen and Drag Queen Story Hour performer
Cholula Lemon

Qual é a parte difícil de ser uma drag queen? Qual é o aspecto mais difícil desta opção?  

Os saltos! Fisicamente, é um esforço. Mas você também tem que ser forte para ser uma queen porque você está em público e você encontra tantos tipos diferentes de pessoas, algumas apoiam você e outras não. Você vai ouvir “legal!” ou talvez, “o que é isso?” As reações são variadas, então você precisa ser forte emocionalmente para ser capaz de suportar todas elas. Mas quando é positiva, é tão divertido.

O que motiva você a brincar com o gênero?

Aprendi que o gênero é um espectro. Há dois extremos que nos foram ensinados a maior parte das nossas vidas, mas, na verdade, todos nós vivemos dentro do espectro. E então, é bobagem pensar que, por exemplo, que essas roupas foram projetadas especificamente para mulheres, quando, novamente, voltando à infância – e porque eu acho que Drag Queen Story Hour é tão importante – as crianças não se importam com esse tipo de coisa. Elas apenas são atraídas pelo que as atrai.

Então, comparamos drag a fantasiar-se, e é isso mesmo. Acho que é divertido brincar com essas linhas e desconstruí-las um pouco, desmontá-las, questionar o que é essa coisa que criamos para nós mesmos porque, na verdade, se você der uma caixa de lápis de cor a uma criança, ela vai escolher as cores que quiser escolher. É divertido dar uma olhada nos sistemas que temos instalados, é assim que fazemos a mudança. Se você começar a questionar coisas em que talvez você tenha acreditado durante toda a sua vida e depois começar a reformular o seu pensamento, você ficará surpreso com o que vai acontecer.

Você pode descrever a sua persona drag e como ela evoluiu?

Cholula Lemon é uma rosa das planícies empoeiradas do sul do Texas. Eu me inspiro muito na minha tradição mexicana, por ter crescido no Texas. Tenho um passado de comédia, por isso sou uma queen cômica. Eu faço standup e faço dublagens engraçadas.

De certa forma, estou honrando minha tradição com meu nome Cholula: é uma das cidades mais antigas das Américas, fundada há 2.500 anos, e meus avós são dessa região. E Lemon, bem, Cholula Lemon soa engraçado.

Meu poço de inspiração está cheio de coisas que eu me lembro de ver na televisão ou em revistas durante a infância. Eu me lembro de folhear a W Magazine na escola secundária. Ah, e Selena: Eu amo todas as estrelas e atrizes latinas. Eu me inspiro muito nas supermodelos dos anos 1970 e 1980 como Jerry Hall e Farrah Fawcett, esse visual glamoroso.

Profissionalmente, trabalho como estilista de moda e, quando comecei a ser drag, tratava cada apresentação como um trabalho como estilista, por isso eu me preparava como se estivesse fazendo compras para uma sessão fotográfica. Eu tinha 10 opções para tudo. Meu estilo drag inicial era muito conservador, tipo mãe de quatro filhos, que organiza jantares para 10 pessoas, renda doméstica alta, como uma espécie de dona de casa suburbana afluente de Dallas. Foi assim que o meu estilo começou, mas depois evoluiu para este estilo “disco glamazon” e agora é mais divertido.


Siga Cholula Lemon no Instagram: @cholulalemon

Esta entrevista foi editada para brevidade e clareza.