Pride mural by Miishab for the Macy's Herald Square World Mural Project

Miishab, uma artista do projeto WorldPride Mural da Macy's Herald Square

Artigo

Miishab está entre os quatro artistas que criaram murais com o tema Orgulho LGBTQ+ como parte do projeto WorldPride Mural exposto nas vitrines da Macy's Herald Square.

Histórico

Meu nome é Amanda Hurn. Sou originalmente de Savannah, Geórgia e morei em Los Angeles por um tempo, mas agora moro em Nova York e estou aqui há oito anos.

Nome artístico

Meu nome artístico é Miishab. O nome foi uma coisa aleatória, as letras me pareceram muito bonitas quando as escrevi.

Histórico de criação artística

Eu cresci com minha mãe em Savannah, Georgia, e ela tinha uma galeria de arte folk em Savannah. Então, eu cresci em meio à arte. Depois, quando me mudei para a Califórnia, morei com a minha tia e o meu tio que estavam na indústria do entretenimento. Eu convivi com muitas pessoas criativas. Acho que eu me imaginava como dona de uma galeria de arte, mas eu estava sempre pintando e sempre querendo exibir a minha arte; hoje eu sou artista em tempo integral e isto aconteceu naturalmente. Eu trabalho pintando murais comerciais e pinto o meu próprio trabalho artístico.

Miishab and her window mural for the WorldPride Mural Project at Macy's Herald Square

Evolução artística

Eu comecei com fotografia e estudei fotografia de moda e design têxtil na escola. E depois, quando me formei, comecei a pintar e tudo evoluiu a partir daí.

Quando me mudei para Nova York eu realmente me apaixonei pelos adesivos espalhados por toda a cidade e por isso comecei a fazê-los: eram desenhos muito gráficos de flores com raios saindo delas. Eu os pintava com lápis de cor e espalhei esses adesivos feitos à mão por todos os lados. Eu colocava meu nome embaixo e as pessoas tiravam fotos. Eu podia ver se meu adesivo ainda estava lá.

E foi apenas há sete anos que eu me tornei a artista que sou hoje. Eu gosto de fazer colagens. Eu gosto de fazer aquarelas. Eu gosto de pintar e pintar com spray. Eu gosto de coisas que são bonitas, mas que também são confusas e grosseiras ao mesmo tempo. E eu gosto de fazer posters originais porque eu crio esta obra que eu adoro e depois preciso me desapegar dela, é realmente libertador fazer isso. Um dia fiz uma peça e coloquei nela todos os componentes que gosto de trabalhar juntos: a aquarela, o lápis de cor, a colagem. E foi assim que [my art] elas se transformaram, eram apenas formas gráficas e passaram a se espalhar e irromper em névoa.

Eu tenho a tendência de extrair formas. Eu posso simplesmente pintar e depois pintar em cima de outras coisas que eu fiz. Por fim, a obra se transforma e estas texturas aparecem e simplesmente acontecem.

Sobre arte de rua

A arte de rua é muito divertida para mim e ajuda quando eu estou pintando em tela. Tenho muitas obras feitas com papel-jornal na rua. Eu pego toda a loucura e as coisas divertidas dessas peças e sento e trabalho com mais calma nas obras em tela.

Criar minha arte de rua faz eu me sentir melhor. Talvez faça com que as pessoas que as veem na rua se sintam melhor também. Ou eles podem pensar “ah, eu odeio isto” e querem arrancar dali. Tanto faz, eles interagem com ela. O tempo também.

Eu faço muitos posters e muitas obras em papel. Eu instalo uma obra e depois as pessoas vão colocar cartazes sobre ela e vão rasgar algumas delas e, cinco anos depois, eu vejo um pedacinho do meu poster que ainda está ali por baixo e que eu não via há anos.

A escala da arte

Eu realmente me expando. Eu acho que o maior mural foi um que eu fiz com o The L.I.S.A. Project na esquina da Mulberry e Canal. Ele tinha um andar de altura e cerca de 18 metros de largura. É legal ver o seu trabalho em um tamanho muito grande.

Criação de arte reciclada

Quando as pessoas jogam livros fora, eu pego alguns, reutilizo os papéis e faço colagens para fazer grandes posters. Então, por exemplo, meu poster pode ser de páginas de livros com várias receitas vegetarianas.

Quote from Miishab, a muralist for Macy's WorldPride windows
Miishab

O mural para a vitrine Pride da Macy’s

Eu combinei todos os tipos de materiais com os quais costumo trabalhar para a obra que fiz para a vitrine da Macy's Herald Square. Eu tinha cerca de seis esboços em andamento e então, finalmente, eu juntei dois e comecei a cortar os outros esboços e fazer uma colagem com todos juntos. Demorei um pouco para finalmente colocar as peças no lugar certo e quando tudo se juntou, pensei “ah, isso é incrível, isso ficou ótimo”. Era como uma explosão vinda do centro, um brilho, uma luz interior. E eu usei as cores do Orgulho LGBTQ+, que agora estão refletidas em todas as minhas outras obras.

Sua reação quando solicitaram que fizesse uma vitrine da Macy’s

O marido de Rey, Wayne Rada, que é o fundador/curador do The L.I.S.A. Project, me ligou falando sobre participar e eu fiquei tão feliz que comecei a chorar. Eu sou gerente de projeto sênior desta organização sem fins lucrativos. Eles fizeram a curadoria e executaram todos os 50 murais para o projeto WorldPride Mural em vários locais de Nova York para celebrar o 50.º aniversário de Stonewall. Eu estava nos bastidores, ajudando os artistas a pintarem seus murais. Eu tive a oportunidade de trabalhar com artistas tão incríveis, mas também de fazer parte de uma organização que está reunindo tantas pessoas diferentes, e isto é o que eu acho que é o principal do Orgulho LGBTQ+.

Como ela se sentiu por ser um destaque em uma vitrine da Macy’s Herald Square

Tudo o que faço é criativo e todo o trabalho que fiz na minha carreira está refletido na minha obra na vitrine da Macy's. Eu voltava para ver minha obra sempre, porque eu não acreditava que meu trabalho estava naquela vitrine. É louco. Eu ainda não consigo acreditar. Eu estou tão orgulhosa. E também, por estar na companhia dos outros artistas. Eu trabalhei com a Jenna em um projeto na Califórnia e nós ficamos amigas. E eu conheço Rey há muito tempo. Estou orgulhosa de estar expondo com este pessoal.

A reação do público à obra

Não é só a obra de arte, o nosso nome também está lá. Tinha pessoas que passavam ali e diziam: “Eu dei uma olhada e vi a sua obra lá”  As pessoas ficavam me enviando vídeos. E alguns parentes querem viajar até Nova York só para ver minha obra pessoalmente.

Não costumo dizer às pessoas quando uma obra está exposta ou quando eu vendo alguma coisa, mas as pessoas estão vendo esta por causa de onde está, e me dizem: “Eu não acredito que você fez isto!”

Para mim, esta parte de Nova York é o que eu assistia em filmes na minha infância em Savannah. Eu vejo Nova York como a Herald Square: todos os prédios altos e o Empire State Building logo ali. E ainda mais, o próprio prédio da Macy’s é um marco histórico, é lindo. Um turista precisa vir aqui, porque é uma área histórica e é tão, bem, tão Nova York.

Esta entrevista foi editada para brevidade e clareza.