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Robyn Banks fala sobre a Drag Queen Story Hour da Macy's e a vida como drag queen

Artigo

Em 22 de junho, Robyn Banks, uma drag queen de 20 anos que vive no Harlem, se apresentou e leu histórias com foco em inclusão e aceitação durante a Drag Queen Story Hour da Macy's na Macy's Herald Square. Em seguida ela conversou conosco sobre vários tópicos relacionados à sua história e à vida como uma drag queen.

Quais livros infantis você leu na Drag Queen Story Hour da Macy's?

Eu li “It’s Okay to Be Different (Está tudo bem em ser diferente)” e “This Day in June (Este dia em junho)” que eu acho que é um livro muito adequado para este mês, porque fala sobre como o mês do Orgulho LGBTQ+ é incrível. As crianças realmente gostaram, algumas já conheciam, outras ainda não. Mas todo mundo conhecia “It’s Okay to Be Different”. Esse é um dos meus livros preferidos para ler, porque ele resume tudo em um pacote; no final das contas, somos quem somos e somos indivíduos, e está tudo bem se somos diferentes. Enquanto lia, eu percebi que havia muitos cartazes no fundo que falavam sobre os direitos dos homossexuais e sobre a igualdade de direitos.

O que você quer que as pessoas saibam sobre as drag queens e sobre a Drag Queen Story Hour?

Ser uma drag queen é uma plataforma para fazer coisas positivas. Eu acho que há muita gente que não compreende as drags e isso me irrita um pouco porque, em resumo, só queremos entreter e educar. Eu sou professor no ensino médio e eu posso educar as crianças durante o dia e fazer a Drag Queen Story Hour nos finais de semana. Então, para mim, é um ciclo é completo.

Estamos ajudando as crianças a expandirem seus horizontes porque queremos que elas cresçam e sejam capazes de aceitar tudo e todos. É por isso que fazemos paradas e eventos do Orgulho LGBTQ+ e todas essas atividades divertidas durante a Story Hour, para que as pessoas saibam que está tudo bem em ser diferente e que é ok ter fluidez de gênero. Temos pais e mães que nos fazem perguntas sobre estas coisas. A Drag Queen Story Hour é uma plataforma positiva para mostrar o que podemos fazer além de dublagem em um clube noturno.

O que teria significado para você, como criança, ter assistido uma Story Hour como esta?

Minha mãe sempre foi muito compreensiva e me aceitava, eu sei que fui abençoado por isso, não são muitas pessoas que têm essa sorte. Então, eu acredito que quando eu era uma criança, ver alguém vestido de drag e se apresentando teria tido o mesmo efeito, eu pensaria, ah, então está tudo bem?

Quando era criança, eu não queria brincar com bonecas Barbie ou Ken, eu só queria brincar com cabelos. Minha mãe trabalhava com perucas e eu amava vê-la fazer aquelas coisas mágicas com cabelos. Eu me sentava e ajudava a pentear as perucas, tentava cortar as pontas. Por ter visto isso, eu não acho que a Story Hour teria me levado a ser drag, mas teria me empolgado em saber que eu tenho a opção de ser outra coisa além do que a sociedade me diz que eu tenho que ser.    

Quando você começou a ser drag queen?

Eu comecei a ser drag quando estava na Harvey Milk High School, que é uma escola secundário só para homossexuais. Alguém me disse que eu tinha belas pernas quando eu apresentei um número da Tina Turner e a conversa se encaminhou para drag queen. Eu aprendi que drag é mais do que apenas perucas e um número de dança, eu aprendi que você pode ganhar dinheiro com isto. Eu pensei, eu preciso pagar minha conta de celular, porque já tenho 18 anos. Então eu comecei a trabalhar como drag em alguns centros pequenos e a ganhar dinheiro, e tem sido uma experiência fabulosa. Você encontra tantas pessoas diferentes e você troca experiências. Você encontra artistas maravilhosos. Ser drag queen realmente mudou a minha vida, muito.

Descreva a sua persona drag, Robyn Banks.

Eu sou do Harlem. Eu tenho classe, mas sou do gueto, algo que eu chamo de “bughetto”. Normalmente, eu uso grandes pulseiras e braceletes.

Eu adoro entreter as pessoas com músicas R & B, Missy Elliot e Mary J. Blige, coisas que eu gosto porque eu sinto que não há pessoas como nós em quantidade suficiente por aí, que somos drag queens hip-hop urbanas. Eu quero que Robyn seja a pessoa de destaque da cena drag do Harlem.

Qualquer coisa que signifique pessoas de cor com diversidade no Harlem, eu represento.  Eu também sou representante de garotas trans negras, porque elas estão morrendo. Eu não sou trans, mas sou aliada e muitas de minhas amigas são trans, então eu estou aqui lutando ao lado delas. Elas são uma parte de nosso arco-íris, elas são parte de nossa sigla [LGBTQ] e eu quero que elas sejam vistas, ouvidas e compreendidas.

Como você evoluiu a sua persona drag?

Quando eu comecei como drag, meu nome era Sandy Beaches. Era engraçado, mas eu acho que não combinava comigo. Eu tinha um amigo com o sobrenome Banks e a forma como ele falava era divertida, e eu sempre tive paixão por Robin Gibbons, que é uma atriz muito conhecida. Eu me lembro, uma vez, simplesmente percebi. Eu senti que não queria apresentar sempre um número da Britney Spears. Eu não queria fazer Celine Dion. Eu queria aparecer, deixar acontecer, e rebolar o twerk. E eu percebi que eu não via isso por aí e por isto eu quis elevar a Robyn um pouco mais.

Fale sobre o que você pensa sobre a seguinte frase: A beleza com a qual você nasceu é o tipo mais importante de beleza. Mas também é importante aprender como obter o melhor desta beleza e fazê-la brilhar.

Para mim, isto significa se posicionar e fazer o que você imagina que é certo para você, ser a estrela que você é. Todos somos estrelas e todos temos a oportunidade de fazer o que queremos com o dom. A questão é quanto esforço, tempo e energia você coloca nisto.

Quote from Robyn Banks, Harlem drag queen and performer at Drag Queen Story Hour
Robyn Banks

Responda a este comentário: Não é como você se veste ou o que você coloca em seu corpo que determina quem você é, mas isto pode ajudar você a expressar quem você é.

Eu acho que se eu acordar de manhã e me sentir como uma árvore, então eu devo me vestir como uma árvore. É simplesmente algo que eu acredito que temos o direito de fazer. Aceitar que você se sente de uma maneira um dia e de outra maneira no dia seguinte e expressar isto, é uma boa prática.

E como ganhar confiança?

Eu acho que, para mim, a confiança veio da família. Quanto eu me assumi para minha mãe, ela disse: “Eu não me incomodo com o que você faz, desde que você seja um homem negro gay de respeito.”  E isto é algo que norteia a minha vida e é algo que me ajudou a ser capaz de me projetar no mundo, ser Robyn Banks e aproveitar o fato de que as pessoas gostam de mim. Então, eu acredito que confiança é uma combinação do seu dom e o tipo de apoio que você recebeu, seja de seus amigos, da família, do vizinho ao lado ou do cachorro, o meu cachorro é meu amor.

E eu acho que andar por aí com propósito e com certeza, com propriedade, também é um caminho para a confiança.

O que motiva você a brincar com o gênero?

Eu acho que a motivação vem de receber mensagens de pessoas que me veem nas mídias sociais e veem o que eu estou fazendo e dizem “Eu vejo o que você faz, e agradeço você por isto”. Eu recebo muitos agradecimentos. Algumas vezes, uma mensagem chega em um dia não muito bom, em que eu não estou bem, não quero fazer nada, e a mensagem me levanta. E eu penso: “Ah, alguém que eu nunca conheci, gosta do que eu faço.” Isto faz eu me sentir assim: ok, eu posso continuar porque se há uma pessoa, há mais pessoas. É uma sensação incrível, honestamente.  

Qual é a parte difícil de ser uma drag queen? Qual é o aspecto mais difícil desta opção?  

Coisas simples como andar de metrô são importantes para muitas drag queens, porque elas não se sentem protegidas ou apoiadas e, de modo geral, não se sentem seguras. Eu conheço muitas drag queens que dizem: “Eu prefiro gastar US$ 50 em um Uber do que pegar o metrô”.    

Eu, no entanto, pego o metrô porque eu compro um cartão de metrô mensal por US$ 126. Os amigos me dizem: “Ah, mantenha a cabeça baixa”. Mas eu não vou abaixar a cabeça com vergonha porque estou fazendo algo que eu amo fazer. Então, tenho dado pequenos passos, para me sentir confortável em público. Eu aprendi que usar óculos de sol ajuda porque há pessoas que ficam encarando e algumas vezes você quer encarar de volta, tipo “você está olhando o quê?” Mas isto pode não ser muito seguro, então eu uso óculos escuros.

Você pode falar sobre a sensação de empoderamento, o que você sente sendo você no palco?  

Quando me apresento, eu sempre tento sentir o público. Eu quero saber o que eles querem, porque eu vou entretê-los. Se eles estiverem se sentindo mais pop ou mais hip-hop, eu vou trabalhar com isso. Vê-los cantar as músicas, mesmo as músicas que são novíssimas e eles conhecem palavra por palavra, me ajuda a sentir que este é meu momento. É algo como, eles estão vivendo, eu estou vivendo, vamos viver isto juntos.  

E também ajuda quando meu desempenho me conecta a eles de maneira pessoal. Pode ser uma música de fossa para mim, mas para uma outra pessoa pode ser a primeira música que eles ouviram quando ficaram com alguém e eles dirão, “Ah, esta eu amo!”. As pessoas simplesmente se conectam de várias maneiras diferentes e eu sinto isto em meus ossos, em minhas veias e em meu coração.


Siga Robyn Banks on Instagram: @therobynbanksshow

Esta entrevista foi editada para brevidade e clareza.